quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Fordismo,Toyotismo e Volvismo:os caminhos da industria em busca do tempo perdido

Thomaz Wood, Jr.
Engenheiro Químico pela UNICAMP, Mestrando em
Administração de Empresas da EAESP/FGV e
Profissional do Setor Fibras e Polímeros da Rhodia S.A.


* RESUMO: A partir dos anos setenta, a supremacia euroamericana no mundoindustrial tem sido desafiada pela crescente economia japonesa. Liga-se estefato aos métodos de produção e à forma de organização do trabalho dominante nascompanhias dos países industrializados ocidentais. Este trabalho investigarátrês pontos da questão: a ascensão e queda da produção em massa - o"Sistema Fordista"; o nascimento e as características do"Sistema Toyota" e o surgimento do "Sistema Volvo".
 Pretende-se, ao final do trabalho, ter produzido uma visão geralsobre o processo de transformação e reestruturação da indústria nesteséculo.
* PALAVRAS·CHAVE: Reestruturação da indústria, organização do trabalho,métodos de produção.


Advoga-se que este fato está estreitamente ligado ao declínio da formade organização do trabalho dominante nas empresas ocidentais.
Na segunda parte a empresa analisada será a Toyota e a imagem escolhida, ada organização como organismo.
Na terceira parte, finalmente, será tomada a metáfora do cérebro eabordado o caso da Volvo.
ORGANIZAÇÕES COMO MÁQUINAS:
FORO E A PRODUÇÃO EM MASSA
As origens da organização mecânica 2
A palavra organização vem do grego organon, que significa instrumento.Pode-se afirmar que esta transformação está de alguma forma ligada àmecanização do trabalho e suas conseqüências.
Max Weber observou o paralelo entre a mecanização da indústria e aproliferação das formas burocráticas de organização.
A origem da Teoria Clássica da Administração está ligada à combinação deprincípios militares e de engenharia.
O desenvolvimento conceitual foi marcado pelos trabalhos do francêsFayol, do americano Mooney e do inglês Urwick.
Um engenheiro americano, dotado de um caráter obsessivo, que ganhou areputação de "inimigo do trabalho humano", é tido como o grandementor do gerenciamento científico. O efeito direto da aplicação dessesprincípios foi a configuração de uma nova força de trabalho marcada pela perdadas habilidades genéricas manuais e um aumento brutal da produtividade.Vivemos, entretanto, um novo período, caracterizado pela alteração acelerada doambiente.
 Tanto do ponto de vista do mercado de trabalho, quanto sob oaspecto organização, a realidade é diferente daquela que gerou a visão mecanicista.
Henry Ford e a produção em massa
Será abordado, a seguir, o surgimento do conceito de produção - econsumo - em massa, focalizando a indústria automobilística.
O início do ciclo de produção capitalista caracterizou-sefundamentalmente pela separação do trabalhador dos meios de produção.
 Os custos de produção eram altos e não caiam com o aumento dovolume. Antes da introdução da linha contínua, Ford já tinha reduzido o ciclode tarefa de 514 para 2 minutos; a linha contínua diminuiu este número àmetade.
Esta combinação de vantagens competitivas elevou a Ford à condição demaior indústria automobilística do mundo e virtualmente sepultou a produçãomanual.
Em contraste com o que ocorria no sistema de produção manual, otrabalhador da linha de montagem tinha apenas uma tarefa.
Um aspecto complicador do uso da imagem de organizações como organismosé o pressuposto implícito da utilização de um modelo discreto, no qual asespécies e suas características são bem definidas.
Desta maneira, ele conseguiu estabelecer uma forma de convivência dosistema de produção em massa com a necessidade de gerenciar uma organizaçãogigantesca e multifacetada.
Na Europa, grandes fabricantes surgiram aplicando os mesmos princípios,mas desenvolvendo veículos mais adaptados às condições do continente. A crisedo petróleo dos anos 70 encontrou as indústrias europeias e americanas numpatamar de estagnação.
Vários pesquisadores agora se detêm no estudo da mensuração do grau emque a permanência deste paradigma impediu, ou dificultou, a evolução daindústria oci-FORD/SMO, TOYOTlSMO E VOLV/SMO...Isto equivale a dizer que partedos princípios tayloristas-fordistas ainda são válidos em muitas condiçõesespecíficas de empresas, meio ambiente, tecnologia, países, etc,"
ORGANIZAÇÕES COMO ORGANISMOS:
lOVOlA· ASCENSÃO DA PRODUÇÃO FLEXíVEL
A descoberta das necessidades organizacionais e dos imperativos do meioambiente'?
No início do século, a idéia de que empregados são pessoas comnecessidades complexas, que precisam ser preenchidas, para que possam ter umaperformance adequada no trabalho, não era nada óbvia.
Elton Mayo foi um dos primeiros a codificar as necessidades sociais nolocal de trabalho, a identificar a existência e importância dos gruposinformais e a enfocar o lado humano da organização.
Herzberg e McGregor, por sua vez, abordaram a questão da integração dosindivíduos nas organizações através de funções mais enriquecedoras. Os membrosdo Instituto Tavistock, da Inglaterra, foram os iniciadores da AbordagemSociotécnica, procurando traçar uma correlação de interdependência entre asnecessidades técnicas e humanas nas organizações."Mintzberg, por sua vez,desenvolveu uma tipologia das organizações na relação com o meio ambiente. Asegunda parte do trabalho discutirá mais amplamente a questão.
Uma crítica que pode ser feita à visão contíngencíalísta é que elasuperestima o poder e  flexibilidade das organizações e subestima o poderdo meio ambiente.
Tomando emprestada a Teoria da Evolução de Darwin, a visão da EcologiaPopulacional diz que o ambiente é o fator crítico na definição de quaisorganizações têm sucesso e quais falham.
Kenneth Boulding cunhou a expressão "sobrevivência da adequação,não sobrevivência do mais adequado". No primeiro, o foco está nasobrevivência do mais apto. Mas a atitude competitiva significa uma ameaça àgerenciabilidade do mundo social.
Já no segundo, o foco está na sobrevivência da adaptação. Um aspectocomplicador do uso da imagem de organizações como organismos é o pressupostoimplícito da utilização de um modelo discreto, no qual as espécies e suascaracterísticas são bem definidas. Na década de 50, a fábrica da Toyota eralocalizada em Nagoya e sua força de trabalho era composta essencialmente portrabalhadores agrícolas.
Trabalhando na reformulação da linha de produção e premidos pelaslimitações ambientais, Toyoda e Ohno desenvolveram uma série de inovaçõestécnicas que possibilitavam uma dramática redução no tempo necessário paraalteração dos equipamentos de moldagem. Assim, modificações nas característicasdos produtos tornaram-se mais simples e rápidas. A
montagem final de um veículo responde  por apenas 15% do trabalhototal de produção. Os fornecedores da Toyota eram companhias independentes,reais centros de
lucro. Por outro lado, eram intimamente envolvidos no desenvolvimentodos produtos da empresa.
O sistema flexível da Toyota foi especialmente bem-sucedido emcapitalizar as necessidades do mercado consumidor e se adaptar às mudançastecnológicas.
O tempo médio de permanência dos modelos no mercado também é diferente:
Os carros japoneses têm um ciclo de vida inferior à metade do ciclo devida dos carros americanos.
Nos anos 80, o mundo estava no mesmo ponto de difusão da ideia deprodução flexível dos anos 20, em relação à ideia de produção em massa.
As mais importantes estariam ligadas à queda relativa do padrão dedevoção dos empregados às empresas. Este ponto de vista encontra respaldo naanálise do seu surgimento e equivale a dizer que o sistema estaria exposto àsmesmas contradições básicas do seu antecessor. A seguir serão abordadas duasimagens do cérebro como forma de estabelecer uma ponte entre suascaracterísticas e a aplicação dos princípios decorrentes ao mundoorganizacional.
A primeira é a imagem da organização como sistema de processamento deinformações. A segunda é a da organização como sistema holográfico.
Uma questão pertinente é a avaliação do impacto da informatização sobrea sociedade em geral e sobre as organizações em
particular.
No projeto da planta de Uddevalla, a Volvo combinou aspectos de produção
manual com o auto grau de automação. Quatro princípios foramdesenvolvidos a partir dos conceitos de single-loop (aprendizado) e double-loop(aprendizado do aprendizado). Numa organização mecanicista, ou burocrática, afragmentação do trabalho e da estrutura desencoraja a autonomia. O grau deredundância é função da complexidade do meio ambiente.
O objetivo é dotar a organização do máximo de flexibilidade e capacidadede inovação.
Apesar do seu grande porte - responde por 15% do produto nacional brutoe 12.5% das exportações suecas" - a Volvo tem-se caracterizado por um altograu de experimentalismo.
Uddevalla, a mais nova planta, combina flexibilidade funcional naorganização do trabalho com um alto grau de automação e informatização. Étambém um excelente exemplo do conceito de produção diversificada de qualidade.
Sua estratégia parece combinar os requisitos e demandas do mercado, osaspectos tecnológicos, os imperativos do dinâmico processo de transformação daorganização do trabalho e as instáveis condições da reestruturação daindústria.
Operando num mercado de trabalho complexo, a Volvo adequou sua estratégiaa dois fatores fundamentais: a internacionalização da produção e ademocratização da vida no trabalho.

Um armazém de materiais, no centro da fábrica, alimenta seis oficinas demontagem totalmente independentes. A organização do trabalho é baseada emgrupos. Nos anos 70, o aumento da competitividade dos produtores a nívelmundial, a necessidade de maior variedade de modelos para atender o mercado e acrescente pressão da mão de obra potencializaram a racionalização da produçãode veículos baseada em automação e flexibilidade.
Na Volvo, o caminho em direção à automação e ao aumento da flexibilidadeocorreu num cenário de compromisso com os conceitos de grupo autônomo detrabalho e enriquecimento das funções.
O projeto atendeu todos os pedidos do sindicato exceto o último. Ossindicatos alterararam o balanço em favor dos "inovadores". Estaposição comprometeu-os ainda mais como sucesso do projeto.
O planejamento dos recursos humanos é parte integral da estratégia deprodução.
A nova ciência das organizações, capo 4, FGV, 1989, p.71. Investigando aquestão da colocação inapropriada de conceitos na Teoria das Organizações, oautor menciona o seguinte: "Embora a deslocação de conceitos possaconstituir um meio valioso ... A Volvo, especialmente na planta de Uddevalla,combinou aspectos da produção manual com alto grau de automação.
CONCLUSÃO
Na primeira parte do trabalho investigou-se o que seriam organizaçõestipo máquina. O exemplo da Ford foi abordado para ilustrar as razões daascensão e queda deste modelo administrativo.
A imagem da organização como organismo foi utilizada para ressaltar ogrande trunfo do modelo, a adaptabilidade ao meio.
Ao final, algumas nuvens negras foram lançadas sobre o futuro dosistema.
Finalmente, tratou-se do que parece ser a mais avançada tentativa desuperar algumas contradições básicas da adaptação do homem ao ambiente detrabalho industrial. Para contraponto do caso da Volvo utilizou-se a imagem docérebro.
A intenção foi tentar encontrar uma linha evolutiva que cruzasse os três“ismos”-Fordismo, Toysmo e Volvismo- e fornecesse  uma visão de processosde transformação da industria  neste século apontando para a organizaçãodo futuro.
Mas talvez o modelo de organização do futuro esteja ainda mais próximode uma banda de Jazz. Uma forma musical surgida no nosso século, caracterizadapela utilização de escalas africanas com harmonias europeias, pela pequena ouquase nenhuma importância do maestro substituído pela primazia do senso comum,pelo pequeno porte, pela produção de uma música marcada pela existência depadrões mas com enorme espaço para a improvisação dos músicos e ,principalmente , pelo prazer da execução.
A intenção foi tentar encontrar uma linha evolutiva que cruzasse os três"ismos" - Fordismo, Toyotismo e Volvismo – e fornecesse uma visão doprocesso de transformação da indústria neste século, apontando para aorganização do futuro."Num artigo publicado pela Harvard BusinessReuieio"; por exemplo, Peter Drucker fala da "vinda da novaorganização". Ele prevê estruturas mais simples, menor número de níveishierárquicos, utilização em larga escala da informática, alta flexibilidade euma nova organização do trabalho.
Como modelo organizacional, ele cita, entre outros, o da orquestrasinfônica. Em realidade, Drucker apenas capta algumas tendências já observáveisem empresas do presente. Utilizando  os casos analisados no decorrer destetrabalho, poder-se-ia dizer que o futuro de Drucker está a 70 anos do Fordismo,a 30 do Toyotismo e a alguns meses do Volvismo.
Uma forma musical surgida no nosso século, caracterizada pela utilizaçãode escalas africanas com harmonias europeias, pela pequena ou quase nenhumaimportância do maestro – substituído pela primazia do senso comum, pelo pequenoporte, pela produção de uma música marcada pela existência de padrões mas comenorme espaço para a improvisação individual e coletiva, pela valorização dosmúsicos e, principalmente, pelo prazer da execução.